Cada vez passava mais tempo em Vale Judeu. Meus sogros tinham uma residencial com piscina e jardim. Era muito acolhedora e recebia principalmente família que estavam de férias. Passamos lá tempos de convívio, trabalho e aprendizagens variadas.
Eles recebiam clientes e visitas de muitos países. Tínhamos oportunidade de conhecer outras culturas sem ter a necessidade de sair do país! Era tremendo para mim. Falava-se em Português, Francês e Inglês principalmente, o que me permitiu dominar melhor qualquer uma das três.
O meu sogro era um formador que conseguia ao mesmo tempo trabalhar, ensinar e aconselhar! O que é raro nos homens. Ele foi o pai que eu não tive. Ríamos, discutíamos de forma aberta e educada, o que eu não conhecera antes.
Minha sogra era a "Mulher de armas", sabia ser simpática e hospitaleira e ao mesmo tempo dura e impunha a ordem na Residencial. Lembro-me de uma vez, termos problemas com um Inglês no bar. Ele levantou a voz e pensei que iriam mesmo chegar ao confronto físico. O homem tinha sido um soldado de uma tropa especial. Era enorme e musculado. Eu meti-me no meio para acalmar a coisa. Mas ele logo de imediato proferiu: "Se te metes, eu mando-te pela janela", achei por bem retroceder. A minha sogra é que avançou, agarrou-lhe o pescoço, encostou-o ao pilar do bar de levantou-o em peso. Só ficaram as pontas dos pezinhos dele no chão!
Eles achavam por vezes que eu poderia achar tudo aquilo um pouco estranho, eu achava-os simplesmente uma família unida e linda (reconheço que minha paixão pela Cristina tinha a sua influência).
A Graça de Deus neles foi incrivelmente abençoadora na minha vida. Não gostavam de legalismos e isso era como um bálsamo para mim que levava o peso da obrigação de ser melhor homem que o meu pai! Aprendi a "gozar a vida" no meio do trabalho e das responsabilidades. Meus sogros foram os meus principais discipuladores nesta fase da minha vida! Só lamento ter um pouco abandonado a minha mãe nessa altura...

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