Uma grande quinta. Um jardim cheio de flores. Muitos jovens. Alegria e
confusão. Duas raparigas dão-me conversa. Fico logo a pensar que estão
impressionadas com a minha beleza natural…
É que não estou habituado a aproximações sem interesse secundário. Não que eu
nunca tivesse conhecido ninguém simpático. Não é isso. Também não estou a insinuar
que todos eram "perfeitinhos". Mas percebi que eles sentiam-se livres e felizes.
Tudo isto é relativo a não ser quando se vive afundado no desespero de um
futuro incerto.
Brincamos, rimos, jogamos futebol. Tive minha oportunidade de mostrar
tudo o que eu valia em campo quando ninguém mais estava a jogar nesse espírito…
Comemos juntos. Havia disciplina, pois tinha de ser, pois nós éramos
cerca de oitenta a cem jovens.
O que me aconteceu no serão foi totalmente fora das minhas
expectativas. Eu nunca poderia imaginar que acontecesse tal coisa. Meu pai era
comunista e nem admitia que nós frequentássemos uma igreja qualquer que fosse.
Minha mãe era católica não praticante e desiludida com o sistema. Eu não tinha
bases religiosas a não ser o que se
falava por aí.
Um senhor lá à frente falava. E chegou uma altura em que as suas
palavras penetraram no meu mais íntimo ser.
Ele falou no amor de Deus. Algo que eu estava a espera. Mas também
falou na razão de não experimentarmos esse amor. Do facto de sermos pecadores e
estarmos separados de Deus pelo nosso pecado e que Ele não podia, por esse
motivo, se relacionar connosco.
Lembrei-me do meu Pai e dos seus erros. Mas também me lembrei dos
meus. Antes de ir para o acampamento, tinha sido bruto com a minha irmã e bebia
cada vez mais e isso fazia-me sentir mal.
O comunicador continuou afirmando que só Jesus Cristo poderia resolver
este problema. Que já o tinha resolvido na Cruz do Calvário pagando o preço dos
nossos erros com a sua própria vida. E que não só Ele tinha morrido mas que
também tinha vencido a morte ao ressuscitar e que nos abriu assim o caminho
para a comunhão com Ele e para uma Vida tão eterna como também cheia de
qualidade.
O palestrante desafiou-nos a aceitar esta dádiva fazendo algo que
nunca eu fizera em toda a minha vida: Falar com o próprio Deus convidando-o a
entrar na nossa vida e preencher o vazio que só ele poderia preencher. O que fiz
sem hesitar!
Foi realmente tremendo. Eu sei que não tem que ser assim tão tremendo
para todos. Mas para mim, foi algo incrível. Toneladas de paz e alegria me
preencheram.
Nunca mais fui o mesmo.
O acampamento acabou. Eu ia retornar para a minha realidade. Iria esta
experiência aguentar o teste do regresso ao trapézio sem rede…

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