Seria difícil pedir melhor, começamos nosso casamento vivendo numa grande vivenda com piscina no Algarve nas Colinas de Vilamoura que nessa altura ainda tinham por nome Vale Judeu.
A natureza, o silêncio, a vista sobre uma boa parte do Algarve, enfim o sonho de qualquer pessoa. A casa era dos meus sogros, eles vivam numa residencial que lhe pertencia no vale de Vale Judeu e nós tínhamos o privilégio de morar na casa que eles construíram com as suas próprias mãos para aí passarem o resto das suas vidas.
A questão é que a ocupação da casa, na minha mente, era muito diferente da real e necessária ocupação, da mesma. O meu sogro aparecia frequentemente e sempre com uma missão para a qual ele necessitava da minha ajuda. Eu nunca tinha vivido numa casa. Não imaginava todo o trabalho de manutenção que isso implicava. Além da manutenção, meu sogro sempre construía mais alguma coisa afim de aprimorar sua linda mansão.
Não é difícil perceber que rapidamente o sonho virou pesadelo para mim e comecei, ao fim de um tempo, a ponderar mudar de casa afim de levar uma vida mais à maneira que eu considerava ser mais "segundo a vontade de Deus", uma vida em que, depois do trabalho, eu tivesse mais tempo para ler, para falar com Deus, para receber pessoas em casa com mais intimidade e consequentemente com menos"ruídos".
Hoje, eu vejo as coisas de uma forma bem diferente e entendo que cuidar de um jardim ou manter uma propriedade pode agradar tanto a Deus como estar a falar sempre do seu nome, ou mais até...
O que é certo é que uma noite, estávamos nós a conviver com uns amigos, o meu sogro apareceu para vir buscar uma lâmpada de que necessitava lá na residencial, logo por "azar" para nós, era uma das lâmpadas que estávamos a utilizar naquele momento...
Foi a gota de água para o meu grande e jovem orgulho, naquela noite, eu decidi que este episódio não se repetiria.

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