sábado, 12 de dezembro de 2015

Um novo e lindo apartamento, muita luz, boa vizinhança, uma linda esposa e um bebé à caminho! 

Fantástico!

Fazia muitas horas extraordinárias e, por isso, o meu ordenado chegava para permitir que a Cristina ficasse em casa e tratasse da casa.
Consagrávamos muito tempo ao trabalho para Deus, leia-se trabalho na igreja local, com jovens, com música, com ensino, com boleias, tentávamos influenciar a vizinhança. Eu jogava futebol com os miúdos nas ruas e a Cristina dava explicações a várias crianças.
A Igreja chegou a alugar uma garagem que foi transformada numa pequena missão na qual também ajudávamos.
Não tínhamos Televisão nos primeiros tempos. líamos, orávamos pelas pessoas da família e pelas outras em geral. Eu lia muito, talvez demais e comparava-me com os heróis da fé que ficaram na história. O problema era que enquanto a Bíblia me mostrava as forças e os podre dos personagens bíblicos, os livros escritos por cristãos acerca de cristãos são por vezes demasiado abonatórios e nos levam a cometer erros que nos podem ser fatais..
Eu vivia frustrado com os poucos frutos e queria mais, e não entendia o porquê da igreja (conjunto das pessoas que se reúnem em nome de Cristo Jesus) ser tão afastada da missão que Deus deixou: Evangelizar, cuidar dos órfãos e das viúvas...
O meu emprego era outra frustração, eu nunca fui muito habilidoso e tinha muita dificuldade em chegar ao nível dos meus colegas.
Lembrava-me das palavras do meu pai, que me comparava a uma moça e as de minha mãe que dizia que tinha pena de perceber que eu nunca iria ser como fulano ou como Sicrano. A minha irmã continuava os seus estudos e penso que já era Engenheira em Topografia, eu apenas tinha o Curso Complementar de Construção Civil (11ºano) que não servira para nada visto eu nunca me ter conseguido adaptar a essa arte...
Minha alegria era a minha nova pequena família, nós sonhávamos com um futuro mais cheio de amor do que de sucessos financeiros ou materiais.
Ao casar decidimos não continuar a ajudar o meu sogro na residencial para termos mais tempo para servir na "Obra de Deus".
As visitas da minha mãe eram preciosas, ela estava radiante com o próximo nascimento do seu primeiro neto. Sobrevivera a uma cancro bastante severo que os médicos apelidaram várias vezes de fatal mas pela graça de Deus isso não se veio a verificar.
Chegamos a um acordo, o nosso bebé se viria a chamar Samuel (do Hebraico "שמואל": Deus ouviu).
Será que a Cristina chegaria a festejar o Natal connosco ou iria estar na sala de partos nessa altura...

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