O Ensino que recebíamos era cru e nu. Não se tratava de formar intelectuais da religião, filósofos ou pregadores amantes de teologia sem Deus. O Objectivo era amar e servir Deus no meio das coisas pequenas e nos contextos mais inusitados.
Certa vez, perante as nossas mais diversas e tolas teorias que assentavam na meritocracia dos missionários,o director da escola contou uma história. Era a história de dois amigos que tinham estudado juntos numa escola bíblica para poderem servir à Deus, um deles tornou-se um pastor e um grande pregador para multidões, o outro foi servir numa pequena tribo num lugar remoto e fora logo morto pela mesma.
"Qual terá sido a falha?" perguntou o nosso director. Sucedeu-se um grande debate, uns defendiam a falta de oração, outros a falta de estratégias, enfim, depois de defendermos todos os nossos argumentos ele explicou que os dois tinham sido fiéis e tinham cumprido a vontade de Deus nas suas vidas e que não poderíamos medir o sucesso da maneira como ele é medido no mundo empresarial ou associativo. E passou a citar exemplos de servos e servas de Cristo que não conheceram o sucesso como não estávamos habituados a defini-lo. Homens e mulheres que era perseguidos, ignorados, desprezados, humilhados por amor a Cristo. O desafio era morrer para o espírito heróico de Hollywood e "experienciar" o Espírito de entrega abnegada vivida por Cristo entre nós.
Um silêncio frio se instalou na sala, incompreensão e mesmo alguma não aceitação desse discurso que nada tinha a ver com os nossos megalómanos planos de "conquistar" o mundo para Jesus...
Seríamos nós capazes de pastorear um pequeno rebanho de pessoas humildes na França profunda, ser perseguidos por pregar a verdade numa igreja que se considera inovadora, ser perseguidos numa cidade muito religiosa, ser abandonados pelos que amamos por ser "fundamentalistas", deixar os que mais amamos por amor aqueles nem percebem o nosso amor...
Voltamos para os nossos quartos cientes do carácter único deste discurso, faltava-nos fazer as contas da obra que nos esperava afim de ponderarmos se o preço a pagar era, por nós, suportável.
Agora percebia porque um velho amigo meu dizia que mentíamos muito durante os cânticos quando dizimamos, " Eu te seguirei", "te obedecerei", ele dizia que éramos todos como Pedro, que afirmou que mesmo que os outros deixassem Cristo ele permaneceria fiel e acabou por negá-lo três vezes...
Eu, um dos meninos bonitos da minha congregação, ainda tinha muito que desaprender afim de começar a perceber o que era seguir a Cristo por Cristo! Essa aprendizagem numa mais terminou...
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